Dos diálogos mentais e dos encontros dos “eus”

20170325_131316Eu sei que você também sente que,

às vezes, pode se perder para sempre.

Tornando-se, cada vez mais,

aquilo que sempre temeu.

Eu sei que também sentes medo,

dessa gravidade que  tenta

tirar-lhe da trajetória calculada.

Eu sei que tem medo

de  fazer de mim  espelho,

e ficar com o Ego caolho.

Conheço a tua dor.

Eu a sondei ao buscar-me.

 

 

Serei a tua espada e teu cajado.

E basta olhar no espelho, estarei lá.

Serei a tua dor, a tua febre

e também o teu remédio.

Cuidarei da tua inquietude,

e trarei mil punhais que usará

como jóias cravados no peito.

 

 

E as tuas inquietudes se desvanecem,

depois de exibi-los sangrando-lhes, todos,

o peito, à multidão que te repudia.

E vai mostrar a eles o espelho onde se revela

todas as armas encravadas em vossos corpos.

 

Se recusarão a ver.

Nunca se disse a verdade

depois que aprenderam a empunhar escudos.

Mas eu te trago o meu corpo numa bandeja de prata.

Te trago o entendimento sem armaduras.

Te apresento a minha sala de espelhos.

Te brindo dores e deleites.

 

Me cave, se pedir socorro.

Me desenterre do meu Ego

quando ele me obscurecer.

E se lhe ocorrer o perigo,

reflita-se em mim e encontre a saída.

 

Nos desenterre das nossas partes podres.

Usa-me como lâmina para amputar as feridas não estancadas.

Serás curado da falta de luz.

Serás maculado pela verdade,

e blindado com os espelhos

que construímos ao nos refletir.

 

Seremos caleidoscópios fundidos em dor e sabor.

Permanecerei “Eu”,e permanecerás “TU”,

até enxergarmos no nosso espelho difuso

que a lascívia dor e o prazer regozijante

são o mesmo punhal entranhado.

Que fere e desfere em um só tempo.

 

Deixaremos também de contar o tempo.

Melhor dizendo, o tempo não mais será contado.

Permanecerei… Permanecerás…

Até quando o  punhal cravado em nós,

iluminar as mentes com o entendimento

de que a dor e o prazer não são meras faces de um rigor,

mas a rigor, uma coisa só.

 

Não te lembrarás mais de quando o Ego te afastava da clareza.

E em total liberdade, não procuro a ti e não procuras a mim.

Serei “Eu”, e tu serás “Tu”; livres de obrigações e vontades,

girando em torno das prias órbitas. E inexoravelmente, volto,

voltamos, ao princípio, quando não era possível contar o tempo.

Quando não havia o quando, o onde, o Eu e o Você.

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